Oportunidades, Inovação e Crescimento
20 Fev 2009
A McDonald´s anunciou há dias um aumento de 80 por cento nos lucros em 2008 e um ambicioso plano de
expansão internacional, que passa pelo aumento significativo de pessoal e de lojas. Agora é a Kentucky Fried Chicken (KFC) que anuncia a criação de 9.000 postos de trabalho nos próximos cinco anos. Lembram-se das tendências que enunciámos aqui para 2009? Uma delas era o crescimento do chamado fast food. Não nos enganámos. Existem alguns negócios que, em contra-ciclo, irão registar um aumento da procura. Por outras palavras: há formatos de franchising que ultrapassarão incólumes a conjuntura actual.
9 Fev 2009
A crise quando nasce não é para todos. Há sectores e projectos que
prosseguem o seu curso normal. Por exemplo, a Critical Software, empresa de base tecnológica com sede em Coimbra, vai aproveitar o tão propalado encerramento da Qimonda e dar arranque a um novo projecto nas tecnologias de informação, empregando dezenas de quadros que transitam directamente da empresa falida de Vila do Conde.
Também um semanário luso titulava este fim-de-semana que a NBB, franchisador nacional que actua na
área dos serviços de business brokerage, “cresce com a crise”. A estratégia é aproveitar a conjuntura actual para crescer, sobretudo através de consultoria em processos de fusão de empresas. Fundada em 2003, a NBB já está presente em 16 países. Agora em 2009 os responsáveis da empresa esperam expandir o seu negócio para o Reino Unido, Austrália e Hong Kong.
27 Jan 2009
Ao falar com empresários do franchising, verifico que muitos deles temem, mais do que a crise, o novo ambiente que possivelmente surgirá. Na verdade, ao sentirem que o futuro cenário dos negócios será substancialmente distinto daquele que conhecem e em que sempre actuaram, muitos desconfiam da sua capacidade de adaptação.
Os tempos que aí vêm exigirão mais rigor e profissionalismo. Será necessário saber actuar num mundo com novos modelos de financiamento e novas formas de gestão dos chamados recursos humanos, entre outras novidades. No que diz respeito ao franchising, será preciso de alguma forma reinventar este modelo de negócio, apostar de vez numa formação eficaz e bem planeada, pensar a expansão em novos moldes, adoptar modelos de gestão da inovação para o desenvolvimento contínuo de novos produtos ou serviços, etc. Alguns dos empreendedores que hoje triunfam não serão capazes de triunfar amanhã. É isto que preocupa muitos deles.
26 Jan 2009
Não por acaso, dois bloguistas muito cá de casa houveram por bem dissertar no mesmo dia sobre a actualíssima questão do financiamento de projectos de franchising. O Alberto Lázaro e o Josan Garcia, reconhecendo embora o problema, apontam algumas soluções e caminhos a seguir. Se os projectos forem de qualidade, com um pouco de imaginação tudo pode ser resolvido.
2 Jan 2009
Há um ideograma chinês [imagem à direita] muito citado na hora actual: «Crise = Perigo +
Oportunidade». As redes de franchising que souberem interpretar a lição nele contida podem atravessar este período de turbulência com optimismo. Para quem souber inovar, há um oceano de oportunidades pela frente. Quem souber fazer as coisas de modo diferente, criando valor a franchisados e clientes, terá razões para sorrir. Os novos tempos exigem, de facto, a criação de valor através de novos produtos e/ou serviços, novos processos, novos métodos de marketing, novas formas de organização. Em alguns casos, será mesmo necessário reinventar a empresa. Estas crises deixam sobretudo pelo caminho as empresas “más”, que entram em jogo nas fases altas do mercado mas não possuem estrutura nem know how para enfrentar períodos mais exigentes. É uma espécie de darwinismo empresarial em que as “boas” empresas sobrevivem, ao passo que as “más” fecham portas ou sentem maiores dificuldades.
30 Dez 2008
Enquanto alguns peritos garantem que “prognósticos só no fim da crise”, arriscamos enumerar aqui algumas tendências na área do franchising.
1. Valorização dos negócios anti-cíclicos. Há sectores que registam uma tendência de crescimento mesmo na presente conjuntura. É o caso de alguns conceitos na área da saúde, estética e beleza. É igualmente o caso dos serviços domiciliários, sobretudo para a terceira idade, que servem uma população cada vez mais envelhecida. Podemos ainda apontar os sectores da formação profissional (com ou sem fundos do QREN) e os serviços especializados de limpeza e higienização de residências, escritórios e automóveis, entre outros que incorporem a dose bastante de inovação e diferenciação.
2. Crescimento dos negócios de baixo investimento. Oportunidade para as marcas que apresentam um investimento inicial até 20 ou 30 mil euros, realizado muitas vezes sem recurso ao crédito. Ou então, no caso português, numa estratégia típica de “auto-emprego”, com as verbas já disponíveis e outras recentemente anunciadas para apoiar a criação do próprio emprego.
3. Valorização dos negócios ecológicos e “amigos do ambiente”. Com ou sem razão científica, o discurso das alterações climáticas e da gestão respeitadora da natureza parece ter triunfado. Isto cria condições para o crescimento nos próximos tempos de conceitos baseados na sustentabilidade ambiental (o “ouro verde”) e no uso das chamadas tecnologias limpas. Alguns exemplos: energia solar, energia eólica, centrais eléctricas portáteis, baterias baseadas em nanotecnologia, filtragem e purificação de água, etc.
4. Negócios de e para mulheres. É uma tendência em crescendo. Conceitos centrados na mulher, com serviços para a mulher e geridos por mulheres. Desde centros de fitness até lojas de roupa para segmentos específicos. O sucesso recente da No+Vello é explicado em parte por esta tendência.
5. Procura de refeições económicas. Devido à crise, é previsível uma maior procura de refeições económicas, o que garante bons ventos para o chamado fast food. Não será por acaso que a Subway anuncia agora o reforço dos seus planos de expansão em diversos países, entre eles Portugal.
6. Entrada de novos conceitos de franchising. Nos momentos de crise há grandes oportunidades. A questão é saber aproveitá-las. Na conjuntura actual podem, por isso, surgir novos modelos de negócio, que ofereçam resposta válida aos problemas de hoje. É nestas alturas que costumam surgir modelos diferenciadores e de ruptura, que se expandem com sucesso nos anos seguintes.
7. Novas fórmulas de financiamento. Perante as dificuldades da banca, os franchisadores terão de proporcionar aos novos franchisados outros meios de financiamento, que não se esgotem em meros descontos ou facilidades na liquidação dos direitos de entrada. Esses novos meios podem ser, entre outros: capital de risco, business angels, sociedades de garantia mútua, social lending, etc.
8. Fusões e aquisições. Provavelmente não em Portugal, mas algumas empresas franchisadoras, com conceitos semelhantes, serão tentadas a ensaiar processos de fusão (ou de aquisição), como meio de atingir maior dimensão de rede e criar economias de escala.
23 Dez 2008
Como estamos na quadra natalícia, resolvi presentear os leitores com uma leitura optimista da conjuntura actual. Não se esqueçam de que as crises do momento são sempre apresentadas como as piores de todas. É um pouco como as doenças. A que nos está no pêlo é sempre a pior.
Em socorro da minha tese, apresento uma revista económica de 1993, ano em que o mundo económico viveu outra das suas recessões cíclicas. Trata-se da “Expansão” de Abril de 1993. A publicação era dirigida por Jaime Antunes e contava entre os seus colunistas com os nomes de Miguel Cadilhe e Vítor Constâncio. (O mundo é pequeno, lembram-se?)
A capa titulava: «Crise – Que saídas?» e o interior continha a partir da página 50 um extenso dossier sobre o assunto. O cenário era negro: “Perdas de 675 milhões de contos na IBM em 1992. Substituição de doze dos quinze patrões do automóvel mundial”. (Crise no sector automóvel, estão a ver?) E logo a seguir: “O imobiliário e as grandes indústrias transformadoras descem aos infernos”. (O costume.)
Alguns comentadores de hoje insistem em que esta é uma crise sitémica. Exactamente o que dizia sobre a recessão de 1993 o professor Michel Aglietta, da Universidade de Paris X-Nanterre, citado na “Expansão”. A revista fazia também as proverbiais comparações com a crise de 1929, a Grande Depressão e o New Deal, o que já constitui um clássico nos comentários económicos.
Outros comentadores da hora actual dizem que, a partir de agora, tem que mudar tudo na regulação e no próprio papel do Estado na economia. Era o que afirmava a velhinha “Expansão”: “Uma ideia simples impõe-se a todos: já não podemos ficar à espera das correcções automáticas do mercado. A auto-regulação já não funciona.” No parágrafo seguinte, falava na “euforia desreguladora dos anos 80″. Os de agora insistem na euforia desreguladora dos anos 90. Onde está a diferença?
Essa edição da revista oferecia a opiniáo de consagrados economistas sobre a crise. James Tobin, Nobel da Economia de 1981, inchado de pessimismo, previa que a crise pudesse durar até ao ano 2000. Robert Solow, Nobel de 1987, deixava no ar a possibilidade de vir a ocorrer deflação.
A páginas tantas, como remédio para a crise, a “Expansão” de 1993 prescreve: “Existem hoje quatro maneiras de arrancar o Ocidente do marasmo, e todas elas implicam iniciativas de natureza política: investimento, acção pública, auxílio ao emprego, concertação internacional”. Eu acho que o Durão Barroso, o Sarkozy e o Sócrates leram isto. É o retrato chapado da receita deles.
Encurtando razões: a análise que por aí se debita sobre a crise não é nova. Vem tudo na “Expansão” de há 15 anos. Se depois disto continuarem a achar que esta crise “é que é”, suspendam os investimentos, os planos de marketing, a política de expansão, e escondam-se debaixo da cama. Estarão assim a cavar a própria sepultura. Depois do actual momento de instabilidade, o mundo conhecerá novo período de crescimento económico. Os vencedores serão aqueles que souberem construir desde já, ante a passividade de uns tantos, as bases desse futuro.
Feliz Natal!